As histórias alheias, as confissões, os corações partidos. Cada uma tem uma história para contar. Por isso estamos aqui. Pois fazemos crônicas. Crônicas de um observador.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
A blusa xadrez
- Veste logo, quero te ver com ela, Vivian!
- Depois eu visto, depois...
Estava me sentindo tão mal e com um aperto tão grande, um pressentimento talvez de que coisas ruins aconteceriam. Ou talvez simplesmente que sofreria, afinal, aquele não era o meu lugar. Era? Não sei, só não consigo entender a lei magnética que me atrai tão facilmente até ela. Depois de insistir que não queria a blusa acabei vestindo e a aceitando. Antes de sair ainda borrifou seu perfume na camisa que guardei como sendo a primeira no armário. No cantinho para ver sempre que o abrisse.
Na primeira briga dormi com a blusa, chorava tanto por ela, mas era aquele cheiro que me fazia pensar que ela ainda estava ali. Na segunda a guardei e não quis ver achando que era apenas aquela camisa que me lembrava dela todo dia antes de dormir. Na terceira percebi o erro porque até mesmo andando sozinha na chuva em meio aos carros eu podia sentir o seu perfume. Na quarta me dei conta de que aquele cheiro e a chuva sempre estariam comigo para me lembrar dela aonde quer que eu estivesse.
- Vivian... Eu não quero brigar. Estou cansada. Vou dormir, boa noite.
Sempre aquele silêncio, e aquele cheiro que me fazia chorar por lembrar do dia feliz em que havia me entregado a blusa. Aquele cheiro de ervas, de alecrim, que perfumava mais que a pele dela, mas sim o vazio no qual eu era deixada tantas vezes...
- Viv? Calma, ok? Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui... Eu não parti. Viv? Me escuta, ok? Eu estou aqui! E eu sou louca por você, Viv... Não chora... Me parte o coração te ver chorar. Não sei o que fazer!
Novamente chuva e aquele perfume... Mas dessa vez, bom, não vinha do nada ou da blusa. Por um dia era somente dela que vinha o perfume a me acalmar...
Por Helena Malaquias
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