quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sobre pitangas




Todo mundo gosta de pitanga. Se alguém diz que não gosta é porque não provou, pois aprovo com toda certeza do mundo: Todo mundo gosta de pitanga. 
Entre o cinza da chuva e do fim da tarde, entre o verde da natureza lutando contra a estrada a partindo no meio, entre a pressa de chegar em casa e o tédio da viagem foi impossível não notar aquele vermelho, vivo e único. Eu tive que parar e juro que com chuva parece ainda mais saboroso arrancar uma do pé. Mas há um porém.
 Eu não gosto de pitanga.
 Certo, não é exatamente que eu não goste, eu só não como e não diria que é minha fruta favorita, sabe? O fato é que não é o tipo de coisa que me faria parar o carro e tomar chuva em uma estrada de Goiás.
 O segredo a respeito das pitangas é que eu não conseguiria pensar em mais ninguém além dela ao vê-las, mas mais especificamente no sorriso. Uau, que sorriso! Talvez eu nunca tenha expressado da maneira certa, mas eu adoro a maneira como ela sorri. Gosto de como move o corpo ao fazê-lo, como seus olhos brilham e como seu rosto cor de porcelana se tinge de coral quando nota o que eu a estou encarando. E encaro mesmo.
 Há algo sobre o sorriso dela que me tira o sossego, me tira o fôlego. É uma sensação de proteção, aquela risada, aquela alegria me contagia e me exibe um lado tão ingênuo e doce que se torna impossível acreditar que a portadora de algo tão lindo possa ter qualquer tipo de amargura na alma. Em contrapartida, também gera a vontade de proteger, proteger o sorriso dela, protege-la. Mantê-la a salvo em uma caixinha com toda ternura para que nunca deixe de sorrir, para que o mundo nunca tire dela esse riso que eu tanto amo.
 O fato é que quando ela sorri tudo parece escuro, ela ofusca a existência de qualquer mundo ao redor. Seu sorriso quando nos deitamos juntas, quando discutimos e nos perdemos em nossas próprias implicâncias tolas e fúteis, quando me deixa sem graça e quando o fica também, quando me tem, quando faz os piores trocadilhos do mundo que soam como os elogios mais doces...  Quando acorda ao meu lado, com aqueles olhinhos fechados e aquele rouco “bom dia benzinho” dito baixinho com todo sono do mundo.
 Ela me tem de uma maneira que eu nunca deduzi que teria, e o sorriso dela me prende da forma mais sutil e forte que poderia. Voluntariamente, por puro encanto.
 O fato é que todo mundo gosta de pitanga. Eu não gosto de comer pitanga. Eu gosto de vê-la sorrir e gosto de saber que eu sou o motivo daquele sorriso. Eu não gosto de pitanga.
 Ela gosta de pitangas...
 (E eu gosto dela!).


Por Helena Malaquias

Um comentário:

  1. como assim eu só descobri esse blog agora? eu te seguia no seu antigo. apaixonada!

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