Todo mundo gosta de pitanga. Se alguém diz que não gosta é porque não provou, pois aprovo com toda certeza do mundo: Todo mundo gosta de pitanga.
Entre o cinza da chuva e do fim da tarde, entre o verde da natureza lutando contra a estrada a partindo no meio, entre a pressa de chegar em casa e o tédio da viagem foi impossível não notar aquele vermelho, vivo e único. Eu tive que parar e juro que com chuva parece ainda mais saboroso arrancar uma do pé. Mas há um porém.
Eu não gosto de pitanga.
Certo, não é exatamente que eu não goste, eu só não como e não diria que é minha fruta favorita, sabe? O fato é que não é o tipo de coisa que me faria parar o carro e tomar chuva em uma estrada de Goiás.
O segredo a respeito das pitangas é que eu não conseguiria pensar em mais ninguém além dela ao vê-las, mas mais especificamente no sorriso. Uau, que sorriso! Talvez eu nunca tenha expressado da maneira certa, mas eu adoro a maneira como ela sorri. Gosto de como move o corpo ao fazê-lo, como seus olhos brilham e como seu rosto cor de porcelana se tinge de coral quando nota o que eu a estou encarando. E encaro mesmo.
Há algo sobre o sorriso dela que me tira o sossego, me tira o fôlego. É uma sensação de proteção, aquela risada, aquela alegria me contagia e me exibe um lado tão ingênuo e doce que se torna impossível acreditar que a portadora de algo tão lindo possa ter qualquer tipo de amargura na alma. Em contrapartida, também gera a vontade de proteger, proteger o sorriso dela, protege-la. Mantê-la a salvo em uma caixinha com toda ternura para que nunca deixe de sorrir, para que o mundo nunca tire dela esse riso que eu tanto amo.
O fato é que quando ela sorri tudo parece escuro, ela ofusca a existência de qualquer mundo ao redor. Seu sorriso quando nos deitamos juntas, quando discutimos e nos perdemos em nossas próprias implicâncias tolas e fúteis, quando me deixa sem graça e quando o fica também, quando me tem, quando faz os piores trocadilhos do mundo que soam como os elogios mais doces... Quando acorda ao meu lado, com aqueles olhinhos fechados e aquele rouco “bom dia benzinho” dito baixinho com todo sono do mundo.
Ela me tem de uma maneira que eu nunca deduzi que teria, e o sorriso dela me prende da forma mais sutil e forte que poderia. Voluntariamente, por puro encanto.
O fato é que todo mundo gosta de pitanga. Eu não gosto de comer pitanga. Eu gosto de vê-la sorrir e gosto de saber que eu sou o motivo daquele sorriso. Eu não gosto de pitanga.
Ela gosta de pitangas...
(E eu gosto dela!).
Por Helena Malaquias

como assim eu só descobri esse blog agora? eu te seguia no seu antigo. apaixonada!
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