Diariamente eu me sinto atônito com as escolhas que fazem a minha volta. Eu não sei de nada, nem bem sei gramática, quem dirá escrever. No entanto estou consciente que o que eu aprendo, o que me falam, o que vejo, tudo é uma lição. Mais ainda, posto que eu aprendi, eu tenho o dever moral de aplicar o conhecimento quando for necessário, e se possível passa-lo para frente sempre que solicitado. O que há de difícil em “nadar contra a maré ”-vacilante vagueio pala casa, tocando os móveis, conferindo a mobília- é tão difícil mudar? Penso que a vida tenha se tornado monótona por comodidade, repetir dá certeza de resultados.
Deixar para traz algo que nos agrada é onde complica –encontrei uma caixa com objetos que guardo, e que já devia ter jogado fora- Eu conheço isso, estou certo do resultado que me trará, mas se é tudo tão bom, porque eu precisaria me desfazer dessas coisas? “Não adianta esperar resultados diferentes se sempre fazemos as mesmas coisas” se bem me lembro foi isso que ele me ensinou. É bem verdade que eu achava os métodos dele bem exagerados –sinto-me inquieto com essas coisas espalhadas, me levanto e volto a caminhar pelos cômodos sem vida-. O que me impedia de confronta-lo e dizer “Ei, por que diabos você precisa fazer comentários tão apelativos para atingir a turma? ”, é, ele tentava sempre chocar meus colegas dizendo coisas fora do comum, nenhuma delas mentira, isso não posso negar. Eu acho eu gostava daquilo. Ele tinha entre suas técnicas de lecionar, atitudes chocantes que beiravam a bipolaridade, entretanto ao que pude perceber, era parte do show, e eu ia pronto para absorver tudo a minha volta. Não sou de conversar muito quando não tenho intimidades. Nesse caso agucei-me a ficar na minha, tentando ser externo, não para me afastar, não, mas para estar completamente presente. Sentia que se eu participasse dos debates, e desse minhas opiniões, eu perderia detalhes das dos outros. Esse foi meu desafio.
Sinto-me divertido ao debater com alguém que sabe argumentar, que tenha opinião. Mas minha omissão deu frutos que preso bastante. Pude ver o que cada um fez, como cada um reagia ao se chocar com o professor “fora do comum”, pude, disso não me orgulho, classifica-los quanto a vivencia e habilidades, e assim escolhi os que queria para mim, os que eu queria por perto. O fato é que ele, em meio as suas lições a “pauladas” ele nos ensinou muita coisa incrível sobre a vida e sobre nós mesmos. E não, eu não passei desapercebido, ele me achou, me testou e me qualificou, tal qual ele fez com todos, embora comigo a abordagem tenha sido diferente.
Eu sou um escravo de mim mesmo e nessa situação eu percebi que eu sou um monstro. Mais ainda, sei que todos somos, camuflados em nós mesmos, com sutis trejeitos moldamos cada relação para que ela seja conivente a nosso modo de pensar. Sim, tratamos diferente cada pessoa –abro a geladeira em busca de algo para beber, em vão- mudamos o tempo todo. A monotonia é uma ilusão bem bolada. Temos a mania de acreditar que a sucessão de eventos lhes confere uma forma de conexão, ao jogarmos um temos a necessidade de prever o resultado a medida que se acumulam lançamentos, os resultados perecem se agrupar de maneira conhecida.
A verdade é que eu acho que sei o que eu tenho que fazer. Sei que tenho que parar de me isolar, sei que tenho que sorrir mais, e que tenho que evitar as ironias, pelo menos ao primeiro encontro. Me sinto desconfortável sendo assim, este não sou eu, mas concordo que se eu for quem eu quero ser, eu vou continuar falando besteiras a mim mesmo num domingo atarde em voz alta.
Por Leonardo Leite
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